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Por que empresas erram na análise Custo-Volume-Lucro (CVL)?

Publicado em: Hoje às 07:30
Tempo de Leitura: 4 minutos
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Tempo de leitura: 4 minutos

A Análise de Custo-Volume-Lucro (CVL) é uma das ferramentas mais consolidadas da contabilidade gerencial. CFOs, controllers e gestores financeiros dominam seus conceitos, fórmulas e indicadores há anos.

Ainda assim, decisões equivocadas continuam ocorrendo em empresas de grande porte, inclusive em organizações com estruturas financeiras maduras, equipes experientes e sistemas robustos.

Esse paradoxo aponta para uma questão central: o problema não está no conhecimento da CVL, mas na forma como ela é executada em ambientes operacionais complexos.

Complexidade cresce mais rápido que a capacidade de análise

De acordo com o mais recente CFO Survey Brasil, da Deloitte, a liderança financeira enfrenta dificuldades recorrentes para transformar grandes volumes de dados em decisões rápidas, consistentes e confiáveis. Em especial, o estudo aponta limitações relacionadas à integração de sistemas, à padronização de premissas e à agilidade analítica.

À medida que a empresa cresce, esse desafio tende a se intensificar. Isso ocorre porque mais unidades, mais categorias, mais centros de custo e mais sistemas ampliam significativamente a complexidade operacional. Consequentemente, análises pontuais perdem efetividade.

Nesse cenário, a CVL deixa de ser apenas um cálculo isolado e passa a exigir estrutura, continuidade e governança.

Quando o faturamento cresce, mas o risco cresce junto

Em muitos casos, relatórios corporativos e análises de mercado demonstram que o crescimento do faturamento, por si só, não garante a preservação de margem. Pelo contrário, em operações de escala, o mix de produtos passa a ter impacto direto sobre o risco do negócio.

Por exemplo, como observado em apresentações de resultados divulgadas por companhias listadas na B3, como Ambev, Gerdau, RD Saúde e WEG, categorias de alto giro costumam impulsionar a receita. No entanto, nem sempre contribuem de forma proporcional para o resultado econômico consolidado.

Assim, sem uma leitura estruturada da margem de contribuição em valores absolutos, decisões relacionadas a preço, desconto ou expansão podem comprometer o valor do negócio de forma gradual e silenciosa.

O problema não é falta de dados. É excesso sem estrutura.

Por outro lado, estudos sobre gestão e tomada de decisão em organizações complexas, como os publicados pela Harvard Business Review, indicam que o excesso de variáveis tende a prejudicar a qualidade das decisões quando não há foco e estrutura.

No ambiente financeiro, esse cenário se traduz, principalmente, em:

  • planilhas paralelas;
  • premissas divergentes entre áreas;
  • dados provenientes de múltiplos sistemas;
  • dificuldade de consolidar números confiáveis.

Dessa forma, a CVL permanece tecnicamente correta. Entretanto, perde força como instrumento de decisão, pois não escala junto com a operação.

Em outras palavras, ela explica o passado, mas chega tarde para orientar o futuro.

CVL como leitura de risco, não apenas como cálculo

Além disso, relatórios sobre a evolução do papel do CFO, amplamente discutidos em estudos da McKinsey & Company, reforçam que a área financeira precisa ir além do operacional e assumir uma posição central na gestão de riscos e resultados.

Nesse contexto, a CVL passa a cumprir um papel mais estratégico: ler o risco embutido no negócio.

Quando bem executada, ela permite responder a perguntas essenciais, tais como:

  • quais categorias realmente sustentam o resultado;
  • quanto da margem está disponível para absorver variações de custo ou preço;
  • quão sensível o negócio está a mudanças no mix;
  • qual é a distância real entre o faturamento atual e o ponto de equilíbrio.

Assim, a CVL deixa de ser apenas um cálculo e passa a apoiar decisões estruturadas.

O limite da CVL não é conceitual. É operacional.

É importante destacar que a CVL continua sendo indispensável. O que muda, em empresas grandes, é o nível de execução exigido.

Sem:

  • dados estruturados e integrados;
  • premissas únicas e rastreáveis;
  • governança do processo;
  • agilidade para simular cenários;

a análise não acompanha a complexidade do negócio. Por isso, planilhas funcionam. Contudo, não escalam.

Onde a diferença realmente acontece

Por fim, decisões mais maduras não dependem de mais dados, mas de clareza, consistência e velocidade. Esse ponto aparece de forma recorrente em análises publicadas por veículos como Valor Econômico, Exame e na coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo.

Empresas que tratam a Análise Custo-Volume-Lucro em médias e grandes empresas como um modelo contínuo de gestão de resultados, e não como um cálculo isolado, conseguem, desse modo, antecipar riscos, proteger margens e sustentar o crescimento com maior previsibilidade.

📘Para quem deseja aprofundar essa discussão, o e-book Análise de Custos-Volume-Lucro (CVL) avança na análise por categoria, no IMC consolidado e no ponto de equilíbrio real, explorando os limites estruturais da CVL em operações multiunidade e ambientes de alta complexidade.

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